30.1.17

A LENDA DE MATERYALIS

No princípio dos tempos, as sociedades de Hedoron acreditavam nos mandamentos dos servos de Materyalis, suposto deus criador do Universo e da vida. A lenda diz que a divindade se angustiou ao observar os atos corruptíveis das suas criaturas e atribuiu a si toda a culpa da imperfeição dos povos. Sua consciência atordoada separou sua essência em duas entidades, criadoras de ideologias extremistas que dividiram a crença das sociedades. Assim nasceu a materja, a guerra que visa a consolidação de uma verdade entre todas as raças. Avessa ao propósito da contenda milenar, surge uma sociedade secreta, que busca o único artefato capaz de desvendar o que realmente foi Materyalis e, assim, livrar os povos da dúvida que os condenou aos intermináveis confrontos. Mas, para chegar ao objetivo, é necessário usar a misteriosa aptidão de cinco indivíduos habitantes de Aliank, um reino dominado por contradições que podem apressar a ruína do mundo antes que a verdade sobre Materyalis seja revelada.
Sabe aquele momento em que a arte imita a vida? Essa história é esse momento todinho, porque por mais que seja uma fantasia, uma ficção que acontece num tempo totalmente distinto, é uma coisa que a gente – pelo menos eu – está cansado de ver por aí.
As Crônicas de Aliank é o primeiro volume de algo que vai ser uma série ou uma trilogia, não sei bem. E aqui, no primeiro momento da história, nós vamos conhecer a sociedade de Hedoron, um povo que acreditava que Materyalis era o criador do universo, da vida, das plantinhas... o criador de tudo, mas aí a lenda diz que um dia Materyalis se angustiou com a imperfeição das criaturas que ele havia criado e dessa angustia surgiu dois deuses antagônicos, isso fez com que o mundo se separasse, cada lado acreditando em um dos dois deuses e sendo totalmente extremista com relação a essa fé, o que acabou gerando uma guerra ideológica chamada de materja.
O reino de Aliank – local em que se passa a história – está dividido em três religiões: Teryonismo, Marilismo e Emylismo, eu não vou entrar em grandes detalhes sobre cada uma delas, mas você precisar saber que, respectivamente, elas são: a do deus bonzinho, a do deus malvado e a que fica em cima do muro. Paralelo a isso, existe uma sociedade secreta em que os participantes se intitulam veniristas, o objetivo dessa sociedade é descobrir o que aconteceu com Materyalis e toda a verdade por trás da criação. Para a história começar de verdade, existe um negocinho que é detentor da fórmula da vida e altos paranauê, e é através desse negocinho, que se chama sinkra ou sinkrober – é muito nome diferente nessa história –, são reveladas algumas visões sobre pessoas com grande potencial de ajuda ao proposito venirista.
Em ALdM, nós encontramos coisas que estamos acostumados a ver por aí, como elfos e humanos, e coisas totalmente inovadoras, como por exemplo: majurks, uma raça de estatura elevada que consegue se transformar em grandes ursos raivosos ou não, depende da descendência do majurk em questão. Outra coisa nova que o Saymon trouxe pro mundo da fantasia, foram os poderes e especialidades das personagens, eles conseguem controlar níveis de energia e para cada nível de energia existem dens, que são habilidades especiais, vou te explicar um pouquinho:
  • Cynbiarkin, é a energia que forma o espírito e os dens revelados no livro foram, o seikan, que são poderes psíquicos e leitura mental, e o denakan, os denins que o possuem conseguem usar a energia para realizar os seus desejos.
  • Metonyan, é a energia que da forma e características físicas a todos os seres, espirituais ou físicos. O den grakan imbui essa energia em qualquer tipo de matéria, como por exemplo, em armas.
  • Kalaidrin, essa energia estabelece as regras do ambiente, é a energia da natureza, do tempo, do espaço, da magia... Elorkan é o den que controla os cincos elementos e o natrakan controla as coisas relacionadas ao clima, a fauna e a flora.
Por favor, não se iludam com a carta de introdução, a narrativa não é maçante, eu juro. Os diálogos são profundos e interessantes, alguns são até mesmo filosóficos, daqueles que te fazem parar e pensar em tudo que acontece ao nosso redor. O Saymon escreve de uma forma que te faz ter empatia espontânea até pela "pior personagem" do livro – estou falando do Sarlakros sim! E te surpreende, te fazendo pensar que a mais boazinha, talvez não seja tão boa assim, ele joga na tua cara que nada é dividido entre bem e mal, tem muito mais coisa para ser explorada nesse conceito de dualidade. Mas teve uma coisa que me deixou triste, a letra do livro não é pequena, a diagramação é super tranquila e mesmo assim, o Saymon conseguiu desenvolver um mundo rico em detalhes, em menos de 300 páginas, querido, eu queria um calhamaço, para poder começar!!! 
SOBRE A EDIÇÃO: Antes de ler esse livro conversei com algumas pessoas a respeito do selo em questão – Talentos da Literatura Brasileira – e muita gente me disse que as edições eram péssimas, que a editora não tinha cuidado, não revisava direito, etc., confesso que esse é o primeiro livro que leio desse selo e não achei o que tão de ruim é visto nele! A ilustração da capa é maravilhosa e com detalhes incríveis, além de o título ter verniz localizado; quanto a parte de revisão e diagramação, eu achei tudo bem tranquilo, só achei um erro de revisão e era uma coisinha tão boba que eu já nem lembro o que era. Só acho que a folha podia ser menos branca e mais amarelada, mas isso a gente releva.
Então a minha conclusão é que: não sei quais livros do selo essas pessoas leram, inclusive pretendo ler mais alguns futuramente, mas em ALdM, essas críticas negativas quanto a edição não se aplicam, lembrando que gostar da história e do conteúdo apresentado é uma questão de gosto pessoal. 
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ISBN 9788542808117 EDITORA Novo Século PÁGINAS 240
CAPA 1,0 REVISÃO 1,0 DIAGRAMAÇÃO 1,0 CONTEÚDO 1,0 GOSTO PESSOAL 1,0 TOTAL 5,0



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8 comentários :

  1. Vi este livro no Instagram e desde então tenho vontade de lê-lo. Adorei os nomes diferentes que há na história e cada habilidade que os personagens podem ter. Tenho alguns livros do selo, e ao menos nos que já li, também não encontrei muitos erros nem achei a edição malfeita. Parabéns pela resenha!

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    1. Moça, leia logo, antes que saia o próximo hahahaha eu vou buscar algumas recomendações desse selo pra ver o que acontece que ele é tão mal falado! Obrigada <3

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  2. Oi Natália, tudo bem?

    Primeiramente, Parabéns pela resenha, ficou fantástica. Já li o livro do Saymon e amei. Ele conseguiu criar uma fantasia bem peculiar, com seres que conseguem chamar a atenção, mas acima de tudo ele trouxe muita realidade para quem sabe ler as entrelinhas. O autor deixou várias brechas para que os leitores pudessem se questionar sobre vários temas, então não tem como não amar esta leitura. Ao terminar o livro também fiquei com esse gostinho de quero mais. Quanto ao selo, realmente alguns livros tem uma péssima revisão e diagramação, o do Saymon foi um dos mais limpos que li.

    Beijos!

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  3. Oi, Natália. Como você está?
    Não conhecia essa obra, mas rapidamente notei seu entusiasmo ao escrever sobre. É tão bom, quando nos identificamos com uma história, ao ponto de achá-la super semelhante a nossa. Eu gosto muito de livros com temática fantástico, mas ando um pouco afastado por conta de algumas decepções recentes. Enfim, fiquei curioso. E, vou tentar ao máximo conhecer de forma mais aprofundada essa história.

    Até mais. http://realidadecaotica.blogspot.com.br/

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  4. Oi Nátalia.
    Só pela sua resenha, já dá para perceber muita coisa que acontece na vida real. Eu tenho uma grande queda por diálogos bem feitos e que nos fazem refletir, então, por essas duas coisas, o livro já está anotado para uma futura leitura.
    Abraços.

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  5. Oi Natália, tudo bem?

    Me bateu uma saudade desse gênero lendo sua resenha! <3 Faz muito tempo que não mergulho em um livro assim, em que o autor teve todo o trabalho de construir um mundo completamente novo, com sua própria aparência, crenças pessoas... acho esse gênero mágico exatamente por isso!
    Confesso que fiquei com medo da leitura ser massante, mas fiquei feliz quando você disse que muito pelo contrário! Que é interessante e até profunda... fiquei curiosa ;)

    Beijos! ;*
    ❤ Letras Eternas

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