4.8.17

MEU DEUS, MAS QUE CIDADE LINDA | RESENHA

Essas são as crônicas não contadas de uma cidade. Os relatos, fictícios ou não tanto assim, mais assombrosos da capital do país.

Acho que fui selecionada para ser uma das parceiras por morar aqui e poder ter uma visão mais familiar dos acontecimentos e dos cenários, que fazem parte da minha vida cotidiana. E de início, eu fiquei pensando que esse livro seria uma antologia de vários escritores daqui de Brasília, aí sim, depois eu verifiquei que se tratava de um único autor, o Rodolfo Melo, e que o que poderiam ser contos, na verdade, eram crônicas. 

Como são várias crônicas, dezenove para ser mais exata, eu não vou entrar em detalhes sobre todas. Mas escolhi quatro, que foram as que mais mexeram comigo ou porque eu estava passando pelo local enquanto lia ou porque me trouxeram uma enxurrada de sentimentos! Mas antes de começar, eu queria dizer que não são relatos fofinhos, a maioria acaba de forma trágica ou não tão legal.


UM CRIME NO CONDOMÍNIO
Esse é o conto de abertura do livro, e por coincidência ou não, ele é o mais leve! 
Aqui nós conhecemos Dona Geralda, uma senhora negra que trabalha como diarista em Águas Claras. Um dia no condomínio do prédio onde ela trabalha, roubaram dinheiro da caixinha de Natal e o patrão dela, seu Jonas, diz que o neto dela tinha sido a única pessoa diferente lá no dia do roubo. Sentiram o racismo? 
Esse conto me deixou muito triste, porque eu sei que isso acontece diariamente seja em Águas Claras ou no Sudoeste ou no Lago Sul, isso acontece em Ceilândia, em Taguatinga. Em qualquer lugar do mundo. Não é só sobre acusar uma pessoa sem ter provas, é sobre acusar uma pessoa por ela ser negra e não ter provas para sustentar a acusação. Eu também fiquei triste porque antes da minha mãe trabalhar com o que ela trabalha hoje, ela já foi diarista e eu frequentava a casa dos patrões dela, quer dizer, talvez algum dia eu tenha estado na pele do Wesley em algum momento, ou talvez não, não sei.

UM LOBO EM PELE DE CORDEIRO
Essa história é muito louca!!! Ela é sobre um cara que achava que as mulheres se vestiam p'ra chamar atenção dos homens, aquele típico que fica assobiando e chamando gostosa na rua, sabe? Daí um dia, ele acordou num corpo de mulher e as coisas não ficaram muito boas pros caras que assediaram ele ou algo parecido. Sobre essa crônica só vou dizer que feminismo importa sim, e importa muito.


QUANDO O CAOS NÃO É TEORIA
Essa é a história do João Paulo, um garoto que mora na Ceilândia e estuda no Plano Piloto. Um dia ele sai de casa atrasado e perde o ônibus, aí p'ra mãe dele não brigar pela aula perdida, ele vai para uma das pracinhas com quadra de futebol (tem uma dessas em cada esquina das cidades satélites) e enquanto ele respondia algumas questões de matemática, acontece uma briga e eu só vou dizer que acaba sobrando p'ra ele, que não tinha nada haver com a história!
Eu nunca morei na Ceilândia, mas já morei na Chaparral e as coisas eram igualmente pesadas por lá e eu tinha amigos e vizinhos que gostam de ficar nessas quadras, ou seja, esse tipo de fatalidade poderia ter acontecido com algum conhecido. Só não digo que poderia ter acontecido comigo porque eu nunca gostei de sair de casa, no máximo ficava sentada na calçada e também estudava muito perto, a escola era literalmente em frente a minha casa, para chegar atrasada.

HOTEL VITÓRIA
Os amigos de Marcelo coagem ele a ir ter com uma prostituta, mas ele tem quase pavor disso, porque no jornal sobre um cara que morreu dentro do prostíbulo, a família ficou sabendo e teve toda aquela história né, dai o Marcelo fica imaginando que se ele for e morrer, vai ser vergonhoso a mãe dele contar p'ras amigas da igreja como foi que ele morreu. E num momento de súbita coragem, ele pega o jornal e procura por uma garota que o agrade, ele marca o encontro, não acontece nada do que ele tinha medo e aí ele vai embora, só que não presta muita atenção no trânsito...
Acho que todo mundo daqui de Brasília conhece esse hotel né? Pois então, a história não acontece lá dentro, mas quando o cliente sai! Eu estava na parada em frente a esse hotel enquanto lia essa crônica. Meu ônibus faz quase o mesmo trajeto que o Marcelo fez, então...

Esses contos que eu detalhei não estão em ordem! E quando vocês estiverem lendo, vão perceber que não são só crônicas, elas possuem temas importantes a serem abordados como, por exemplo, machismo, feminismo, relacionamento abusivo, homofobia e por aí vaí...


Eu ainda não recebi a edição física do livro, então por enquanto, vou apenas falar sobre a edição digital e no dia que os meus horários e do Rodolfo baterem p'ra eu pegar a física em mãos, volto aqui e faço uma atualização, tá bom?

Esse e-book é muito fofinho, e as ilustrações de Brasília são maravilhosas. Não tenho o que reclamar da revisão ou da capa, mas da escolha de fonte!!! Algumas palavras não foram formatas, principalmente as com acento, e daí ficou uma com fonte bonitinha e outra com fonte arial, mas isso não atrapalha em nada a leitura, viu!

ISBN 9788568077269 EDITORA 42 PÁGINAS 175

CAPA REVISÃO 1 DIAGRAMAÇÃO 1 CONTEÚDO 1 GOSTO PESSOAL 1 TOTAL ✩✩✩✩✩

POSTAGEM POR NÁTALIA FERNANDES (@MASTERSYKA)

Nenhum comentário :

Postar um comentário