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RESENHA | Esse Cabelo (Djaimilia Pereira de Almeida)

27 de dez de 2017
Aqui nós deveríamos ter a história de um cabelo crespo, mas será que é só isso? Uma biografia capilar que nós relata as experiências de alisamentos, cortes e transição capilar? Além disso, Esse Cabelo tem uma história de aceitação, empoderamento e tudo com um toquezinho de diário, com os relatos de uma família e as memórias de infância.

Eu recebi esse livro como cortesia da Editora Leya e nós fizemos uma leitura conjunta incrível, cheia de gente incrível, mas eu confesso que fiz a solicitação esperando uma coisa totalmente diferente. A capa do livro diz que esse é "um romance surpreendente", e o que me deixou muito surpresa é que, pelo menos do meu ponto de vista, isso não é um romance, e sim uma autobiografia.

"Um dia o livro alimentar-me-á a mim como se mostrasse a alguém um álbum antigo dizendo que até era bonita,  como as Testemunhas de Jeová diziam à avó Maria da Luz para a consolar."

Vocês conhecem a Djaimilia? Ela é uma YouTuber bastante conhecida, principalmente por assuntos relacionados ao movimento negro e ao feminismo! E se você não conhece, não se preocupe, esse livro foi o meu primeiro contato com ela e eu só fui descobrir que ela era YouTuber em uma aula de Tópicos Especiais em Literatura Brasileira, porque a professora contou isso pra turma.


Djaimilia é filha de uma mulher negra e um homem branco. Ela nasceu em Luanda, mas se mudou para Portugal quando ainda era criança. Em um primeiro momento, a gente percebe que tudo que ela conhece de Portugal que não seja sua família ou contado por alguém, ela conheceu enquanto procurava salões de beleza para alisar o seu cabelo ou pelo menos deixar ele mais baixo.
Eu sinceramente não conheço uma menina que tenha cabelo crespo, pelo menos aqui do Brasil, que não tenha passado por algo parecido, e é doloroso dizer isso em voz alta. Eu tenho cabelo crespo e ele foi alisado durante um bom tempo, primeiro contra a minha vontade e depois porque eu queria. Porque eu preferia ficar com a cabeça ferida e dolorida do que aceitar meu cabelo e enfrentar todo o julgamento e a imposição da sociedade.
Ok, temos a história do cabelo, que eu não posso contar porque é o tema do livro né, daí é dar spoiler dele todo! E paralelo a isso, a autora vai relembrando coisas da infância e histórias da família dela, essa parte eu tenho que admitir que achei O MÁXIMO!!! Com muito esforço eu não ia conseguir lembrar nem da metade do que ela lembrou pra montar esse livro.


Esse livro tem tantas coisinhas nas entrelinhas que tem dar um pitaquinho em cada pra não contar demais! Já contei pra vocês que ela é mestiça né? Ela também é neta de uma avó branca e outra negra. Todo o tempo ela ficou dividida entre duas etnias, tendo que buscar sua identidade e as suas raízes. E isso é doloroso da mesma forma que alisar o cabelo de uma criança. Pra ser sincera, enquanto eu escrevo essa resenha, vejo muitas semelhanças entre a autora e eu, entre algumas situações que ambas foram obrigadas a passar, mesmo sem saber do que se tratava ou como lidar com aquilo no momento.

"Talvez a imagem certa seja mesmo essa: a de se passarem longos anos, afinal poucos, respirando vapor quente com uma toalha sobre a cabeça enquanto a água arrefece - e transpirando. Era disso que eu precisava agora, meia hora de inalação da minha infância, o único tributo digno, mas até para isso é preciso um nariz entupido."

Ao mesmo tempo em que eu não gostei desse livro, que a leitura não engatou, eu tenho orgulho dele. Esse é o primeiro livro da autora e ela já começou pisando em muitos calos quando decidiu escrever sobre como a estética padrão, no caso, a branca, consegue se sobrepor as outras, sobre como é difícil e sofrível tentar se adequar ao padrão de beleza, mas diz isso te mostrando que não, você não precisa mudar pra ser aceito, você só precisa se aceitar do jeito que você é e se encaixar em você mesmo.


Acreditem em mim quando digo que não estou nem um pouco satisfeita em ter abandonado esse livro! Pois é, eu não consegui ir até o fim. Tentei acompanhar os prazos da leitura coletiva de todo jeito, mas não deu e eu ficava botando a culpa na faculdade, daí a leitura coletiva acabou e eu ainda fiquei um pouco mais tentando... agora que tô de férias, tentei mais um pouco mais e nada. Aliás, pra não dizer que foi absolutamente nada, eu senti muito sono, muito sono mesmo, durante a leitura.
Não vou dizer que o livro é bom ou não, até porque pra mim não deu certo, mas vai que funciona pra você? Eu também não tenho o menor interesse na vida da Djaimilia ou no Português de Portugal, mas vai que você gosta né?
Talvez não tenha dado certo pra mim porque eu esperava uma coisa totalmente diferente e acabei quebrando a cara! Espero um dia conseguir terminar esse livro, e ficar bem desperta pra assimilar todo empoderamento, toda luta e todas as críticas que estão aqui. Ah, uma coisa: na capa do livro também diz que tem um certo toque de humor, mas eu li até a página 100, o que é bem mais da metade do livro, e não vi humor nenhum!


Quanto a edição, eu acho ela fabulosa! Uma das coisas que me fizeram escolher esse livro num mar de fantasia que eu queria ler, foi a capa e eu espero um dia pintar meu cabelo desse tom de laranjado. Eu achei tudo muito bom, mas tenho ressalvas quanto a língua: é tudo Português? É, mas deveria ter tido algum cuidado com relação a isso, porque existem palavras que significam coisas totalmente diferentes lá e aqui, e a gente não é obrigado a saber dessas coisas! São poucas palavras assim no livro, mas elas ainda estão lá.

ISB9788544105221  EDITORA LEYA PÁGINAS 144
CAPA 1 REVISÃO 1 DIAGRAMAÇÃO 1 CONTEÚDO 1 GOSTO PESSOAL ½  TOTAL ✩✩✩½
Amazon |  Submarino |  Skoob
7 comentários em "RESENHA | Esse Cabelo (Djaimilia Pereira de Almeida)"
  1. Leya usando propaganda falta, pode não.
    Eu adoro autobiografias e tratando de um assunto afro, feminista é sempre bem vindo. Acho que ela contou muito no livro pelo que notei e gostaria muito de ler ♥

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  2. Olá!! :)

    Eu confesso que não conhecia este livro e que não fiquei muito curioso com ele, visto que não consigo ler nada do género...

    De qualquer das formas, é pena que não tenhas gostado. Pelo menos, existe essa visão da multiplicidade da beleza, não num padrao cerrado.

    Boas leituras!! ;)
    no-conforto-dos-livros.webnode.com

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  3. Já estou eu aqui imaginando esta coisa com cabelo... Sem dúvida pelo que pude ver, ela pisou mesmo em muitos calos, uma penas que a leitura tenha sido lenta.
    Bjs, Rose.

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  4. Só sei que a capa arrasa, realmente a história de cabelo crespo que ficou liso são de muitas, inclusive a minha haha, mas creio que esse fato está mudando um pouco já que são muitas pessoas que estão deixando de analisar e deixam crescer naturalmente, isso me deixa muito feliz, saber que o padrão de beleza está mudando. É uma pena não ter terminado, mas te entendo quando a leitura não flui, acontece quase com todos rs. Primeira publicação que leio do blog e confesso que gostei muito, amo sua escrita e conheço ela do ig, parabéns. Com certeza passarei aqui mais vezes.

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  5. Olá!
    Apesar das ressalvas fiquei bem curiosa em ler rs Já me chamou a atenção o título e tbm que amo Leya.
    Bjs

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  6. Olá, acompanhei o lançamento da obra e fiquei muito curiosa para conferir.

    Deve ser uma ótimas leitura.

    Abraços

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  7. Oiiii, apesar da suas ressalvas eu acho que a minha amiga vai adorar esse livro é total a cara dela com empoderamento e feminismo. Vou pesquisar um pouco mais essa história.

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